quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

ENFIM, ELE PAROU.




A palavra “mito” acompanha toda e qualquer postagem sobre o goleiro, quando publicada por um são-paulino. O reconhecimento existe da parte das demais torcidas, ainda que nem todas admitam. Talvez não como mito (e aí entra a minha opinião), mas como um excelente goleiro.

Foi no início dos anos 1990 que comecei a ver futebol. Vi aquele tricolor brilhante de Telê Santana vencer as Libertadores e os Mundiais do início da década, e o vi tomar o título de Campeão Paulista do Palmeiras na final de 1992. Ali a inesquecível era Parmalat do Palmeiras trazia das cinzas um time paulista que amargou a década de 1980 à espera de títulos. Mas o arrancamento do time alviverde ficou para 1993, porque naquele ano de 1992 o São Paulo de Raí, Palhinha e Zetti não deixava ainda.

Vale lembrar que, apesar de Rogério ter sido contratado em 1990 (aos 17 anos) pelo São Paulo Futebol Clube, ele galgou o natural caminho de quarto goleiro até chegar ao posto de goleiro titular. E que no bi do São Paulo (1992 e 1993) ele estava ainda como quarto goleiro. E que foi com a morte do terceiro goleiro do clube que ele assumiu o posto no banco, de terceiro goleiro. Evidentemente, os reservas fazem parte das conquistas de seu clube. Mas vale lembrar que Rogério não “mitou” no bi do São Paulo. Justiça seja feita, foi o (não menos goleiro) Zetti, também ídolo da torcida naquela época. um dos goleiros mais extraordinários que o país já viu. Foi ele quem defendeu o gol do São Paulo no seu momento mais incrível. Apenas com a saída dele Rogério assumiu definitivamente as traves do Morumbi, em 1996.

O auge máximo de qualquer jogador brasileiro, a seleção brasileira não deu o mesmo status a Rogério. As poucas atuações que fez foi em momentos poucos expressivos para o Brasil. Vale lembrar que o seu melhor momento na Seleção brasileira foi no banco de Marcos, na conquista da Copa de 2002, sob o comando de Felipão. Ok, ele é campeão mundial, mas como o foi pelo São Paulo no início dos anos 90: apenas sentado assistindo. E em 2002 ele já era o super Ceni, mas o Marcos... Bem, o marcos era o Marcos. Infelizmente, ali o quesito não era bater faltas (onda que nunca foi mesmo a de marcos). Aliás, os dois goleiros podem ser comparados de diversas formas: tempo, compatibilidade, fidelidade aos seus clubes, ídolos de torcidas... Até o encerramento das carreiras foi parecido: ambos enfrentando um momento dificil de seus clubes. Mais uma vez, na minha discutível opinião os dois deveriam ter parado um pouco antes.

Acho que o tempo tem muito a ver com o que Rogério Ceni foi no São Paulo. Evidentemente, ninguém fica num clube durante tanto tempo por ficar, tem que fazer por onde. No entanto ele não foi um ótimo goleiro sempre; sua carreira também coleciona frangos e goleadas sofridas (como todo goleiro, inclusive Marcos). Mas vou polemizar (e que os são-paulinos não me engulam): o quer diferenciou Rogério dos demais goleiros no Brasil foi a sua capacidade de fazer gols. Evidentemente, ele foi um goleiro incrível. Mas tão incrível quanto Zetti, quanto Gilmar, Marcos ou Veloso. Como todos os goleiros, fez defesas incríveis e tomou frangos mais incríveis ainda. Poderíamos dizer então que o fator que deu o apelido de “mito” ao goleiro tenha sido as mais de duas décadas que atuou com a camisa (aliás, as várias camisas) do São Paulo. Mas há um quesito que o diferencia sim, um único na minha opinião: ele não só defende, mas chuta muito bem. Nenhum outro goleiro no Brasil foi tão bom em cobranças de faltas e pênaltis. Ele muito mais acertou que errou. Sua determinação e poder de liderança também lhe levaram à frente no time, assumindo há muito a faixa de capitão. Os técnicos iam e viam, Rogério continuava. Os craques do São Paulo eram fabricados no clube, ou viam de fora, mas saíam um dia, Rogério não. Sempre ali, sempre são-paulino. E não foi por falta de propostas. Assim como o também inesquecível Marcos (Palmeiras) ele também recebeu propostas, inclusive estrangeiras, mas ficou. E só não desceu com o São Paulo para a série B do Brasileirão (como Marcos) porque o São Paulo felizmente nunca caiu. Mas duvido muito que ele não teria ido resgatar o lugar do clube na elite do futebol brasileiro. Rogério Ceni provou seu Amor incondicional pelo São Paulo até seu último jogo, e encerrou sua carreira num ano em que sua atuação não estava entre as melhores. O time lutou para lhe dar um título de despedida, mas não conseguiu; inclusive uma Copa do Brasil (inédita para o tricolor paulista).

Não há dúvidas de que estamos falando de um goleiro campeão, que ganhou quase tudo em seu clube.Portanto, pra mim, Rogério Ceni é um excelente goleiro, mesmo não estando muito bem nos últimos tempos; mas não é nada mais que os outros excelentes goleiros também. Debaixo das traves do campo ele foi um ótimo goleiro, mas como muitos foram e o são. Como batedor de faltas, ou goleiro-artilheiro sim, o melhor. Ou justiça seja feita, o único de seu nível indiscutível.

Agora fica o lado complicado disso tudo. Com a saída de Rogério Ceni, quem é o nome do time paulista? O Corinthians desse ano provou que um bom time não precisa destacar um nome; mas é verdade que a torcida messiânica sempre espera um herói. O herói, a referência, a liderança sempre foi o Ceni, principalmente na ultima temporada, onde o clube teve que se apoiar nas conquistas passadas para discutir futebol. No entanto, a grande expectativa do São Paulo, assim como de todos os clubes que o conhecem é: o substituo de Rogério Ceni realmente já está no são Paulo, ou ainda será encontrado?
PARABÉNS, ROGÉRIO CENI

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