quinta-feira, 6 de março de 2014

A PALAVRA COMPULSIVA



TALVEZ este não seja o principal problema, mas sim “falar o quê”. Se bem que há quem diga que falar demais não é bom; não podemos negar aí uma certa verdade. Mas também que não o entendamos como um axioma. Uma senhora muito caprichosa me dizia... “quem muito fala, muito pode errar...”. Também há sua exceção. Se é que podemos dizer que esse é o caso da maioria. Tudo é relativo na realidade. Aliás, a própria realidade me parece muito relativa. Por exemplo, entre conhecidos meus não faltarão surpresos. É que entre os meus sou considerado um grande falador; porque – segundo eles – falo, falo, falo, falo e falo. Porém, em outros relacionamentos meus, sou o silencioso, o quieto, o sensato (como se sensatez e silêncio fossem sinônimos). Creio que um choque entre essas turmas minhas haveriam ambas de se perguntarem se falam do mesmo André. Claro, a dúvida seria tirada quando tachassem os principais assuntos deste que lhes trata nesta página. Talvez, não exatamente pelo assunto, mas pelo teor das palavras e o estilo de raciocínio que emprego nas opiniões. Com certa facilidade poderiam supor: “estas palavras não podem ser do André”, ou ainda “estas são palavras dele”.
Por fim, eu que me conheço mesmo, afirmo: tenho a inquietação da palavra...
E como tenho! Nem sempre falo muito, mas quando falo, falo mesmo. Na verdade, falando assim em falar mesmo talvez até não; porém, muito digo. Dizer, ah, sim, sempre. Digo com o meu silêncio, com minha inquietude, com meu barulho, com minha cara e meu corpo. Digo com as músicas que ouço, com as peças e filmes que assisto, com minhas risadas e minha cara séria (não quis dizer lágrimas pra não ficar muito poético – não é a intenção). Resumindo, a palavra me é compulsiva. Porque se não a digo, sinto-a, penso-a, enalteço os pulmões com seu cheiro... Enfim, o seu significado literário é o que menos interessa, mas sua intenção me é majestosa. Portanto, como não posso falar a todos e há muitos dos quais não quero debater ou tentar convencer de algo, me voltei para minha grande amiga: a palavra escrita. Mais uma vez ela veio me salvar. Mas aqui, de uma forma diferente que nas outras ocasiões. Sem poesia, não romanceada, sem parábolas ou às avessas – como aliás, adoro escrever. Aqui uma exceção. Continuo fiel às ideias dividias, mas apresento-as enfim diretas. Ou seja, não vou querer dizer nada com tudo o que vou escrever aqui, vou dizer diretamente. Procurarei rodear o menos possível, e talvez assuste alguns a ponto de parar no primeiro texto. Mas uma coisa hei de garantir: sinceridade. Um André de peito aberto, verdadeiro. Ora chato, ora engraçado, ora interessante, ora insuportável, detestável, ridículo até, para os mais exaltados. Mas sobretudo, com uma sinceridade interna. E um compromisso, antes comigo que com você que está lendo, de inteira cumplicidade com meu modo de ver as coisas. Enfim, serão palavras tão reais quanto verdadeiras. Minha intenção não é mesmo agradar a todos – afinal, seria pretensão demasiada; mas sim dizer muito sem encher o ouvido de ninguém. E de uma forma interessante pois, dando a você a liberdade de fechar a página quando quiser, a fim de que eu “me cale”.

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